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Asian young blind person woman using smart phone with voice accessibility for persons with disabilities in creative workplace.

Inclusão e acessibilidade não andam juntos: comunicação acessível no Movimento Escoteiro

Com a pandemia de Covid-19, a tecnologia mostrou que pode ser uma grande aliada nas nossas rotinas. Muitos estudiosos afirmam que a tecnologia avançou por conta do isolamento. Afinal, home office e ensino a distância ainda pareciam atividades distantes para muitos brasileiros. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas afirma que o trabalho em casa deve aumentar 30% em função da crise. Entretanto, esse novo contexto também nos mostrou que temos muito a desenvolver quando o assunto é inclusão e acessibilidade.

Aquela ideia superficial de que acessibilidade só precisa de estruturas físicas para existir caiu por terra e vimos que o tema vai muito além. As barreiras na comunicação virtual também existem. Lives e vídeos sem legenda e sem intérpretes de Libras e imagens e vídeos com informações, mas sem audiodescrição. Esses são alguns dos exemplos de situações em que faltou acessibilidade.

Se sua empresa tem pessoas com deficiência no time, portanto, é preciso ter atenção para saber se está de fato incluindo essas pessoas em um novo contexto. A acessibilidade plena no home office significa que sua empresa se preocupa de forma genuína. Mas como fazer isso na prática? Nesse texto vou compartilhar algumas boas práticas e a experiência que tivemos no Movimento Escoteiro para inclusão de pessoas com deficiência.

Comunicação acessível

Em pleno século 21 ainda andamos por calçadas esburacadas, sem rampa e sem piso tátil. Mudar a estrutura depois de essas estruturas estarem prontas requer tempo e dinheiro. Porém, e se desde o começo o olhar para inclusão e acessibilidade já acontecesse?

Essa mesma ideia deve ser aplicada em nossas comunicações para que a comunicação chegue de forma unânime às pessoas – incluindo pessoas com deficiência auditiva e surdas. Isso porque, diferente do que muitos pensam, nem todo surdo sabe português. Eles têm a Libras (Língua Brasileira de Sinais) como primeira – e às vezes única – língua e isso não significa que sejam analfabetos, mas sim que utilizam outra forma para comunicação. Você entende agora a importância de um intérprete de Libras?

Talvez você esteja se perguntando: “Então por que preciso inserir legenda em português?”. A legenda é também necessária porque há pessoas com deficiência auditiva que precisam desse auxílio. São pessoas que perderam a audição (ou parte dela) depois de adultos e, por sua vez, não conhecem a Libras.

Como posso usar ferramentas a meu favor?

Algumas ferramentas ajudam e muito na hora das lives, eventos online e reuniões. Infelizmente ainda não são fáceis de utilizar, demandam mais de um recurso e paciência para aprender. Para uma live com intérprete de Libras e compartilhamento de tela, por exemplo, é necessária uma ferramenta de vídeo-chamada e outra para transmitir a tela do computador para a rede social.

Para a legenda, as ferramentas de videoconferência fornecem a opção de legendagem automática. Apesar de ser um “quebra-galho”, a legenda em português ainda não está 100% e precisa ser revisada. Outras plataformas possibilitam que um profissional legende ao vivo a fala, estilo closed caption.

Os cegos e pessoas com baixa-visão precisam de audiodescrição quando as apresentações possuem slide, por exemplo. Em outras palavras, esse recurso é um meio para que essas pessoas tenham a mesma percepção de alguém que enxerga. Algumas ferramentas de vídeo-chamada possuem uma forma de colocar um canal de voz à parte, na mesma chamada que todos. Isso ajuda a inserir um áudio-descritor.

Para os vídeos prontos, há tempo para inserção de legenda, tradutor de Libras e áudio-descritor. Existem ferramentas que fazem a legendagem automática e você pode editar as palavras que ficaram erradas. Além de posicionar no melhor lugar para não ficar por cima do intérprete.

Vale lembrar de não usar legendas ou intérpretes minúsculos. As expressões de quem interpreta para Libras são essenciais para que o surdo compreenda a língua dele, assim como um ouvinte precisa de um áudio legível.

Tanto para a interpretação quanto para a audiodescrição, são necessários profissionais especializados, que estudaram para tal.

Estou no caminho certo?

Só de começar a tornar seus conteúdos mais acessíveis já é um ótimo caminho. A inclusão, diferente do que muitos pensam, não vem junto com a acessibilidade. Fazer uma live e deixar as pessoas que precisam de recursos em outro lugar é acessibilidade, mas não é inclusão. Seria o mesmo que fazer uma reunião em uma sala e deixar as pessoas com deficiência em outra.

Inclusão é deixar todos no mesmo ambiente e com todos os recursos necessários para que a informação chegue de forma unânime e ao mesmo tempo a todos.

Para saber se está no caminho certo, uma consultoria com empresa especializada e até pessoas com deficiência são o melhor caminho.

O que faço sobre inclusão e acessibilidade?

Junto com outras pessoas, estou à frente para tornar o Movimento Escoteiro mais acessível e inclusivo. Com uma equipe só de voluntários, já fomos capazes de fazer dois eventos – um do estado de São Paulo e outro Nacional – nos moldes necessários. Nesses dois momentos atuei como consultora e produtora, também editei e legendei vídeos.

Por isso, se eu disser que praticar a inclusão e acessibilidade é tarefa fácil estarei mentindo. É algo possível e que requer uma equipe. Para tornar ainda mais fácil, insira um consultor desde o início de suas atividades.

Para tornar algo mais palpável. Imagine que acabou de construir um prédio de 20 andares e depois de finalizado percebeu que não deixou espaço para o elevador. Sei que, atualmente, esse exemplo é irreal porque seria difícil receber o alvará sem projetar tudo dentro da lei. Mas não deveria ser assim em nossa comunicação com nossos públicos? Não espere que a inclusão e acessibilidade na comunicação sejam obrigatórias.

Texto escrito por Allyne Pires para o blog da TREE

Comunicóloga, sete anos de experiência somados em assessoria de imprensa, comunicação interna, análise de conteúdo, marketing de conteúdo, marketing digital e consultoria em acessibilidade e comunicação. Na Escoteiros do Brasil atua como orientadora de crianças entre 7 e 10 anos, além de atuar nas equipes de Comunicação (no estado de São Paulo) e Inclusão (no estado de São Paulo e Nacional).